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OS DISCÍPULOS
Em 1934, um ano antes da demissão de Quintanilha, tinha aparecido o primeiro colaborador de Natividade. Domingos Pereira Machado fez o seu tirocínio de silvicultura, embora já fosse engenheiro agrónomo, como tinha acontecido com Natividade. Machado, açoriano de São Jorge, apresenta, em 1935, a sua tese em Lisboa, Contribuição para o Estudo da Formação da Cortiça no Sobreiro (que será publicada na Revista Agronómica), e fica, posteriormente, a trabalhar na Estação de Alcobaça, até 1944. Machado trabalharia depois algum tempo como assistente no ISA e, desde os anos 50 até 1972, seria o responsável pelo sector do melhoramento da Estação de Experimentação Florestal (da DGSFA) em Lisboa. A silvicultora Margarida Alpuim, filha do professor Santos Hall, considera Machado «o grande pioneiro e impulsionador do melhoramento florestal em Portugal, em particular do pinheiro bravo. Com uma visão realista, sente a urgência da produção de semente de qualidade e, para fazer face às reflorestações e obstar à degradação do pinhal que começava a prever, procura implementar as modernas técnicas de melhoramento. Em 1953, Machado publica um trabalho sobre melhoramento do pinheiro bravo, para obter árvores de elevada capacidade de produção de gema, para a constituição de futuros povoamentos. E entre nós, pela primeira vez, propõe-se a instalação de pomares seminais e clonais. Nesta época realiza também as primeiras tentativas de hibridações no pinheiro-bravo». (ALPUIM, 1999) Depois de Pereira Machado, chega Jorge Brito dos Santos, em 1938, com a publicação da tese Estomas e Actividade Estomática no Sobreiro. Essa tese marcaria o início de uma série de contribuições necessárias ao conhecimento da fisiologia do sobreiro e das suas relações com o descortiçamento (SANTOS, 1940). Publicou artigos em Alcobaça até 1943, encontrando-se entre eles, um dos poucos assinados em conjunto com o mestre. Brito dos Santos ingressou nos anos 40 na Junta Nacional da Cortiça, organismo onde viria a desempenhar sucessivamente, ao longo de um quarto de século, as funções de chefe da Secção de Assistência Técnica e Fiscalização, director dos Serviços Técnicos e presidente (a partir de Abril de 1967). Também exerceu cargos como presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Fomento Florestal e Presidente do Conselho Geral do Instituto dos Produtos Florestais, encontrando-se, por consequência, e até à data do seu falecimento, directamente ligado ao organismo. O silvicultor Salazar Sampaio considerá-lo-ia «o técnico português mais profundamente conhecedor das realidades subero-corticeiras portuguesas» (SAMPAIO, 1981). Em 1968, para o Boletim da Junta Nacional da Cortiça, Brito dos Santos haveria de produzir uma frase que descrevia bem a personalidade que se atribuía a Natividade: «Além do homem sisudo e triste – sempre obcecado em suas altas congeminações, seus pessimismos e desilusões – como pela maioria era conhecido, era notável a sua faceta de sarcasmo e humor, humanidade e coração aberto ao desenvolvimento das mais fortes amizades» (SANTOS, 1968).
Em 1939, chega Luís dos Santos Viegas de Seabra, filho do naturalista e funcionário do Laboratório de Biologia Florestal, Antero de Seabra. A sua tese foi apresentada com o título Sobre a Cicatrização das Feridas de Descortiçamento.
Seabra ficará em Alcobaça até 1948, ano em que a Junta de Investigações Coloniais criou o Laboratório de Histologia e Tecnologia de Madeiras, que passou a ser dirigido por ele, instalado num pavilhão do Jardim do Ultramar. Mais tarde, no ISA, Seabra exerceria funções docentes na disciplina de Tecnologia Florestal e no Curso Livre de Tecnologia da Pasta para Papel (MELO, 2007). Em 1942, chega como tirocinante ao Laboratório da Celulose José de Silva Carvalho, em Agosto de 1943, depois de acabar a sua tese Branqueamento e Purificação da Celulose de Cupressus, é integrado no grupo de pessoal de investigação do laboratório. Manuel Firmino da Costa, alentejano de Odemira, apresentou a sua tese Contribuição para o Estudo das Pastas Químicas de Pinheiro-bravo e publicou artigos entre 1949 e 1953. Foi posteriormente presidente do Conselho de Administração da Companhia do Papel do Prado.
O tirocínio de 1944 de Manuel Gomes Guerreiro marcou a passagem pela Estação de Alcobaça da cultura dos choupos. Nesse ano, Guerreiro teve dificuldades para que o ISA aceitasse como tese de silvicultor um trabalho sobre O Problema do Melhoramento Florestal do Género Populus tendo Natividade como orientador. (GUERREIRO, 1958). O choupo era uma das espécies que se estudavam nesse momento na Europa como possíveis fontes de matéria-prima para as pastas de papel. «Levantaremos as bases duma industrialização do país (por este lado com fábricas de celulose) que será um dos obstáculos às possíveis crises do pós-guerra» (GUERREIRO, 1943). |
Documentário"Três Pessoas e um Sobreiro"
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