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OS DISCÍPULOS

CitacaoNatividade foi um cientista isolado, voluntariamente apartado dos centros de poder e decisão política, que na verdade nunca percebeu, assemelhando-se assim a um verdadeiro provinciano. Nunca se separou do seu reduto, Alcobaça, onde recebia com um prazer que contrastava com a sua índole solitária, os investigadores mais notáveis da época nos campos da biologia e da agronomia. Gostava de ser acompanhado, mas era-lhe difícil trabalhar em equipa, pelo que poucos foram os discípulos que deixou. Por isso, e também devido à sua frugalidade e incapacidade para exigir o que precisava em equipa e instalações, a sua contínua e intensa actividade de investigação científica, mesmo única, passou quase despercebida no país. Só periodicamente saía da sua reclusão, para percorrer o país todo num velho carro, ou ir a Lisboa satisfazer as inúmeras petições de conferências. Foi um escritor de talento que deixou um conjunto de textos que ainda hoje constituem notáveis exercícios literários que se lêem com prazer.Citacao  (GUERREIRO, 1991)

Em 1934, um ano antes da demissão de Quintanilha, tinha aparecido o primeiro colaborador de Natividade. Domingos Pereira Machado fez o seu tirocínio de silvicultura, embora já fosse engenheiro agrónomo, como tinha acontecido com Natividade. Machado, açoriano de São Jorge, apresenta, em 1935, a sua tese em Lisboa, Contribuição para o Estudo da Formação da Cortiça no Sobreiro (que será publicada na Revista Agronómica), e fica, posteriormente, a trabalhar na Estação de Alcobaça, até 1944. Machado trabalharia depois algum tempo como assistente no ISA e, desde os anos 50 até 1972, seria o responsável pelo sector do melhoramento da Estação de Experimentação Florestal (da DGSFA) em Lisboa. A silvicultora Margarida Alpuim, filha do professor Santos Hall, considera Machado «o grande pioneiro e impulsionador do melhoramento florestal em Portugal, em particular do pinheiro bravo. Com uma visão realista, sente a urgência da produção de semente de qualidade e, para fazer face às reflorestações e obstar à degradação do pinhal que começava a prever, procura implementar as modernas técnicas de melhoramento. Em 1953, Machado publica um trabalho sobre melhoramento do pinheiro bravo, para obter árvores de elevada capacidade de produção de gema, para a constituição de futuros povoamentos. E entre nós, pela primeira vez, propõe-se a instalação de pomares seminais e clonais. Nesta época realiza também as primeiras tentativas de hibridações no pinheiro-bravo». (ALPUIM, 1999)

Depois de Pereira Machado, chega Jorge Brito dos Santos, em 1938, com a publicação da tese Estomas e Actividade Estomática no Sobreiro. Essa tese marcaria o início de uma série de contribuições necessárias ao conhecimento da fisiologia do sobreiro e das suas relações com o descortiçamento (SANTOS, 1940). Publicou artigos em Alcobaça até 1943, encontrando-se entre eles, um dos poucos assinados em conjunto com o mestre. Brito dos Santos ingressou nos anos 40 na Junta Nacional da Cortiça, organismo onde viria a desempenhar sucessivamente, ao longo de um quarto de século, as funções de chefe da Secção de Assistência Técnica e Fiscalização, director dos Serviços Técnicos e presidente (a partir de Abril de 1967). Também exerceu cargos como presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Fomento Florestal e Presidente do Conselho Geral do Instituto dos Produtos Florestais, encontrando-se, por consequência, e até à data do seu falecimento, directamente ligado ao organismo. O silvicultor Salazar Sampaio considerá-lo-ia «o técnico português mais profundamente conhecedor das realidades subero-corticeiras portuguesas» (SAMPAIO, 1981). Em 1968, para o Boletim da Junta Nacional da Cortiça, Brito dos Santos haveria de produzir uma frase que descrevia bem a personalidade que se atribuía a Natividade: «Além do homem sisudo e triste – sempre obcecado em suas altas congeminações, seus pessimismos e desilusões – como pela maioria era conhecido, era notável a sua faceta de sarcasmo e humor, humanidade e coração aberto ao desenvolvimento das mais fortes amizades» (SANTOS, 1968).

Em 1939, chega Luís dos Santos Viegas de Seabra, filho do naturalista e funcionário do Laboratório de Biologia Florestal, Antero de Seabra. A sua tese foi apresentada com o título Sobre a Cicatrização das Feridas de Descortiçamento. Seabra ficará em Alcobaça até 1948, ano em que a Junta de Investigações Coloniais criou o Laboratório de Histologia e Tecnologia de Madeiras, que passou a ser dirigido por ele, instalado num pavilhão do Jardim do Ultramar. Mais tarde, no ISA, Seabra exerceria funções docentes na disciplina de Tecnologia Florestal e no Curso Livre de Tecnologia da Pasta para Papel (MELO, 2007).
Em Alcobaça Seabra consegue, em 1942, 12 anos depois da fundação da Estação do Sobreiro e Eucalipto, a criação e a direcção do novo Laboratório da Celulose, primeiro núcleo nacional dos estudos nessa matéria. «O problema do consumo e da produção de celulose e de papel preocupa cada vez mais a economia de todas as nações e tanto mais quanto maior é o seu desenvolvimento intelectual. No nosso país, dado as dificuldades actuais da importação (a guerra), o problema atingiu uma situação particularmente crítica» (SEABRA, 1943).

Em 1942, chega como tirocinante ao Laboratório da Celulose José de Silva Carvalho, em Agosto de 1943, depois de acabar a sua tese Branqueamento e Purificação da Celulose de Cupressus, é integrado no grupo de pessoal de investigação do laboratório. Manuel Firmino da Costa, alentejano de Odemira, apresentou a sua tese Contribuição para o Estudo das Pastas Químicas de Pinheiro-bravo e publicou artigos entre 1949 e 1953. Foi posteriormente presidente do Conselho de Administração da Companhia do Papel do Prado.


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O tirocínio de 1944 de Manuel Gomes Guerreiro marcou a passagem pela Estação de Alcobaça da cultura dos choupos. Nesse ano, Guerreiro teve dificuldades para que o ISA aceitasse como tese de silvicultor um trabalho sobre O Problema do Melhoramento Florestal do Género Populus tendo Natividade como orientador. (GUERREIRO, 1958). O choupo era uma das espécies que se estudavam nesse momento na Europa como possíveis fontes de matéria-prima para as pastas de papel. «Levantaremos as bases duma industrialização do país (por este lado com fábricas de celulose) que será um dos obstáculos às possíveis crises do pós-guerra» (GUERREIRO, 1943).
Guerreiro foi funcionário da estação entre 1945 e 1955. Desde 1955, encontrava-se nos Serviços Centrais da DGSFA, onde foi incumbido de reestruturar os Serviços de Extensão, devendo-se-lhe a edição de novas séries de publicações, como «Estudos e Informação» e «Folhetos de Divulgação». Em 1957, sempre com Natividade como orientador, apresentou-se para a vaga de professor agregado de Silvicultura com a tese Castanheiros: Alguns Estudos sobre a sua Ecologia e o seu Melhoramento Genético.


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"Três Pessoas e um Sobreiro"



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