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INSTITUTO SUPERIOR DE AGRONOMIA

Foi em Outubro de 1915, com apenas 15 anos, numa atmosfera ensombrada pelas notícias da guerra europeia, que Joaquim Vieira Natividade deu entrada no Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa. Em 1910 tinha-se dado a cisão entre o ensino da veterinária, agronomia e silvicultura, mas as três formações ainda partilhavam as instalações do antigo Instituto de Agronomia e Veterinária. Só em 1917, o Instituto Superior de Agronomia, até então instalado no Palácio da Cruz do Taboado (junto à Praça José Fontana), mudou para um novo edifício na Tapada da Ajuda.

Ao que parece, Joaquim ingressou nele contrariado, já que, por mais de uma vez, manifestara a vontade de se tornar médico. «Quando andava a tirar o curso dos liceus, concorri a uma bolsa de estudo instituída pelo Dr. Brilhante, mas uma esquiva bola preta lançada na urna fez com que não a obtivesse» (OLIVEIRA, 1969B). «O pai, prático e incisivo, veio pôr termo aos seus secretos escrúpulos: o Joaquim vai para Agronomia! E foi!» (AMARAL, 1969).

Porque o pai obrigou o filho a escolher este caminho? Manuel Vieira Natividade tinha criado uma fábrica de conserva de fruta e apetrechou a casa agrícola que herdara dos seus pais, dotando-a com um lagar de azeite equipado com a mais moderna maquinaria. A fábrica de conservas de frutas da firma Natividade & C.ª, fundada em 1887, era a mais importante da região de Alcobaça, e abastecia-se anualmente, no distrito de Santarém e nos concelhos de Caldas da Rainha e Porto de Mós, de grandes quantidades de fruta (NATIVIDADE, 1922).

Mas mesmo que Natividade possa ter entrado contra sua vontade no Instituto, dentro dele, encontraria a vocação:

CitacaoAo ingressar na Escola descobriu a vocação, encontrou o verdadeiro rumo. Tudo quanto nele se continha de aspirações vagas, de anseio de séria objectividade na vida; as inclinações naturalísticas adormecidas ou recalcadas; os impulsos de solidariedade humana perante o drama agrícola que se desenrolava na terra portuguesa […]; tudo o que na vida apenas entrevira que lhe viesse a dar superior sentido – pôde, na Escola de então, desabrochar e florescer. O estudante julga-se simples joguete nas mãos do Destino, faz o maravilhoso achado de si próprio e transforma-se no obreiro operoso, capaz de abrir por suas mãos, na agreste selva da vida, o trilho que escolheraCitacao  (NATIVIDADE, 1957B)

No terceiro ano de estudos, Natividade viveria a mudança e a inauguração da nova sede na Tapada de Ajuda. O professor Joaquim Rasteiro foi o primeiro director-geral da Agricultura da República, ainda em 1910, e ajudou a consolidar a posição do ensino agronómico, passando a Tapada da Ajuda à posse do Instituto, com a reforma de 1911. O Ministério do Fomento tardaria seis anos a construir as novas instalações, e o próprio Rasteiro seria designado para pronunciar, ao modo universitário, a «Oração de sapiência» na inauguração (GOMES, 1934).

O ambiente intelectual universitário deve ter fascinado Natividade, quer pelas doutrinas fervilhantes, quer pelos estudantes que o frequentavam. Nela estudavam um grande número de estudantes republicanos e filo-anarquistas – a fina-flor(3) da juventude intelectual portuguesa. No ano lectivo de 1915-16, encontravam-se matriculados no Instituto, entre outros, Artur Saraiva Castilho, José Mateus Almeida de Mendia, Manuel Saraiva Vieira, António Arala Pinto, Francisco António de Santos Hall... No ano lectivo de 1921-22, o último de Natividade como aluno do Instituto, já tinham entrado outros, como João de Carvalho e Vasconcelos, Filipe Jorge Mendes Frazão, António Eduardo Freire Gameiro, António Pereira de Sousa da Câmara, Álvaro de Lencastre Araújo Bobone, Domingos Rosado Vitória Pires, António Alves Bastos Botelho da Costa ou André Francisco Navarro.

O Instituto era pequeno em número de alunos. Entre 1917 e 1922, diplomar-se-iam um total de 74. Inevitavelmente todos se conheciam bem, muitos deles viviam em quartos alugados no mesmo bairro, e todos estudavam na mesma biblioteca. Natividade seria colega de ano da primeira agrónoma portuguesa, Maria Amadora Ribeiro.


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3 Se atentarmos nos nomes supracitados, verificaremos que muitos deles se tornarão figuras de importância nacional no âmbito da ciência e da política agrícola; além disso, alguns deles estarão ligados à vida pessoal e profissional de Natividade: Mendia e Frazão serão directores-gerais da DGSFA, Santos Hall o primeiro director da Estação Experimental do Pinheiro Bravo, catedrático de Economia Florestal no Instituto e um dos responsáveis técnicos pela Lei do Povoamento Florestal (também conhecida pela Lei dos Baldios).de 1938. Gameiro seria o sucessor de Santos Hall na Estação do Pinheiro, António Câmara o director da Estação Agronómica Nacional, Vitória Pires, secretário de Estado de Agricultura, Navarro e Bobone, os rivais de Natividade para a cátedra de Arboricultura, em 1933.


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"Três Pessoas e um Sobreiro"



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