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OS MESTRES

Entre os professores de que um aluno podia desfrutar em 1915, ainda figuravam vários que integravam o corpo docente dos finais do século XIX, «que eleva a Escola a alto nível científico, intelectual e moral, estava a nossa Academia das Ciências representada por sete dos seus membros, figuras inesquecíveis da agronomia portuguesa […] escola de professores que sabem o que ensinam e ensinam o que sabem» (NATIVIDADE, 1956). Os professores notáveis que Natividade lembraria com carinho seriam António Xavier Pereira Coutinho (3.ª cadeira, Botânica), Luís António Rebelo da Silva (Química Agrícola, 5.ª cadeira) e Manuel de Sousa da Câmara (Patologia Vegetal, 15.ª cadeira). A cadeira de Arboricultura e Horticultura (a 10.ª) estava ocupada por Joaquim Rasteiro.


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No terceiro ano, Natividade matriculou-se nas cadeiras de agronomia, e também nas de silvicultura. Um aluno que quisesse não ser somente engenheiro agrónomo, mas também silvicultor, deveria, no terceiro e quarto anos, fazer as cadeiras de Silvicultura e Economia Florestal e os cursos de Hidráulica Torrencial e de Aquicultura. Faltaria mais um ano lectivo especial e exclusivamente destinado ao tirocínio técnico.

A cadeira de silvicultura tinha como lente o agrónomo Mário de Azevedo Gomes, o maior animador dos silvicultores portugueses na primeira metade do século XX. Mário de Azevedo Gomes ingressou no corpo docente do ISA no ano lectivo de 1914-15, quando acabava de completar 30 anos. Azevedo Gomes dedicar-se-ia a leccionar Silvicultura entre 1915 e 1955 (ano em que se aposentou no limite de idade). A turma de Natividade seria uma das primeiras a desfrutarem dele como professor.

Desde 1916, tornara-se comum no Instituto, os alunos de Silvicultura acompanharem o professor Mário de Azevedo Gomes num percurso que durava três dias, nos caminhos do Parque da Pena, em Sintra, aprendendo o historial de cada árvore. A passeata(4) findava com um exame escrito no terceiro dia. Os alunos faziam longos passeios a pé, discutia-se e aprendia-se (NEVES, 1967). Podemos considerar essas visitas como um dos primeiros casos de excursionismo científico em Portugal. Esse tipo de visitas contribuía para a criação de uma comunidade científica naturalista, e serviria de plataforma para a implementação de uma nova disciplina – a Ecologia (RAMOS, 2005) – contribuindo ainda para a implicação dos naturalistas na protecção de espaços naturais.

O professor Baeta Neves sempre esteve consciente da importância desse tipo de excursões. «O entusiasmo que já tinham consolidou-se, e os que estavam mais afastados das realidades renderam-se; e dado que o fundamental na formação universitária de um aluno é exactamente estimular o entusiasmo pela profissão escolhida, e esclarecê-lo quanto à sua finalidade social, parece-me ter sido do maior interesse tal excursão […] Parece-me indispensável, já para se alcançar essa consciência da posição tomada, já para se poder objectivar ao longo do ensino teórico o aspecto prático dos assuntos tratados; o aluno poderá assim relacionar melhor o que lhe seja apresentado nas aulas com o que se passa no campo, tem imagens reais, lembra-se de exemplos que viu e que viveu, recorda-se do que ouviu aos técnicos de campo e sente a própria inexperiência. O valor pedagógico de uma tal situação é tão evidente que não vale a pena defendê-lo; ninguém o pode discutir» (NEVES, 1961).

Como estudante universitário, Natividade foi um aluno escrupuloso no cumprimento dos seus deveres. Nos últimos anos teve um bom aproveitamento escolar, por vezes até excelente – como aconteceu com os relatórios de tirocínio, classificados os dois com 19 valores. Muito embora alguns dos seus mestres tivessem por ele particular estima, como o caso de Pereira Coutinho, isso não se materializou num convite para desempenhar funções de assistente, nem para ingressar na carreira universitária após ter concluído o seu curso, em 1922.

4 A prática seria continuada, nos anos 60, pelo filho de Mário, o professor António Manuel Azevedo Gomes.


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"Três Pessoas e um Sobreiro"



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