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O RECONHECIMENTO NACIONAL

Escreveram-se poucas bíblias entre os silvicultores portugueses do século XX. Um número muito pequeno de livros aproxima-se da definição de bíblia: O Livro por excelência, a revelação, a mensagem. O Subericultura é um pouco de tudo isso e, por essa razão, chegou a ser O Livro dos produtores de cortiça, e não só, O Livro dos silvicultores de Portugal.
Foi em finais de 1950 que apareceu, editado pela DGSFA, esse tratado que conseguia ao mesmo tempo responder a tantas perguntas. Tinha sido 12 anos antes, em 1938, que Arala Pinto tinha publicado O Pinhal do Rei, e 10 anos mais tarde, em 1960, que Mário Azevedo Gomes publicaria a sua Monografia do Parque da Pena.
Uma idade de ouro para os silvicultores, em que em 22 anos apareceram os três textos técnicos mais completos e imprescindíveis do século XX. Magnificamente ilustrado, impresso num papel especialmente fabricado para esse efeito, o livro constitui ao mesmo tempo uma obra magistral no plano técnico e uma edição de luxo susceptível de satisfazer os bibliófilos mais exigentes. (OUDIN , 1956)
Em 1950, Natividade tinha já 50 anos e encontrava-se no apogeu da sua faina científica. Todo o seu tempo era dedicado à investigação, como director do Departamento de Pomologia da EAN e da Estação do Sobreiro, e o resultado foi uma carreira fulgurante e uma catadupa de trabalhos científicos publicados em revistas nacionais e estrangeiras.
Subericultura representa o fruto de 20 anos de um trabalho paciente e contínuo: observações e estudos pessoais, numerosas pesquisas bibliográficas, contactos com especialistas do sobreiro nos diferentes países interessados nesta cultura. Nessa época, e possivelmente ainda hoje, constituiu o tratado mais moderno e completo sobre o sobreiro. Esta espécie é estudada em todos os seus aspectos: botânico, florestal, tecnológico e económico.

A Academia de Ciências de Lisboa elegeu-o sócio correspondente da Classe de Ciências em 1951. Natividade parece-nos ser o segundo silvicultor a ser nomeado sócio correspondente, e o primeiro a ser numerário. O primeiro sócio correspondente tinha sido Barros Gomes . Depois de outra comunicação, em sessão de 4 de Novembro de 1954, A Nova Floresta, a Academia tornou-o sócio efectivo de número (Cadeira n.º 9), em Maio de 1955. «Como Egas Moniz, seria um daqueles membros que merecidamente, tanto poderá ter assento na Classe de Ciências como na de Letras, como prova a sua nomeação para colaborar na Comissão Luso-Brasileira para o Estudo e Acerto da Unidade Gráfica da Língua Portuguesa, e atesta o convite para proferir o discurso de recepção ao presidente da Academia Brasileira de Letras». (OLIVEIRA, 1969)


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"Três Pessoas e um Sobreiro"



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